MAL-ACOSTUMADO
folha branca
franca
intimida tudo de dentro
e foge fácil o momento
quis escrever tal vez
poesia crua
dura
e pior que não cura
não quando fica assim
se esconde
todo onde
cadê?
vergonha, porquê
na realidade é a insuficiência
essa demência
é dá muita raiva, sabe, amor
mastigar tudo tanto
por pensamento
e na hora do pranto, do canto
palavras ao vento
desoriento
e a boca retrai
a mente trai
a mão recai
e nada
nada sai
e a tão falsa epifania
falsamente sacia
falsamente abrevia
e enganando esvazia
e então tá tudo bem.
mas depois
que o amor se foi
não estão a dois
a dor reflui
com dentes
se prende
arranca, destroça
se abriga
me almoça
e desanca, me ofende
se tranca
cruelmente
e cultiva, e cresce
e nasce e morre
e sempre sempre me acorre
quando novamente
em minha frente
o amor se põe imponente