tempo tempo vou te fazer um pedido
acho que… é, realmente, esse frio entranha. entranha e estranha, até, meu organismo agora tão acomodadamente gélido abriga um coração não-tão-moto-contínuo-assim, tão quietinho poupando calor… Há um mês, ou mais, mais de um no tempo do lado de dentro, saio do banho, sinto frio. troco de roupa, sinto frio. acordo, sinto frio. saio de casa, sinto frio. lavo as mãos, sinto frio. frio frio frio FRIO, me deixa em paz! E me deixou…mas não quero tanta paz assim, paz-passiva não serve a mim. Minha alma não expande mais, os dias dispostos assim todos em fila causam uma certa náusea de quem está no ônibus há muito tempo e ainda não chegou em casa, ah como eu já deveria ter chegado em casa, sabe. e todo mundo andando, oi hoje. oi amanhã. tchau. tchau de novo. a imagem dos acorrentados prisioneiros não deixa espaço para nada além, e pensar nesse ciclo que nada produz e que tudo suga é exaustivo. é preciso descontinuar.
AH!
eu quero calor. não porque meu coração me pede, até porque o pobrezinho não me pede mais nada, mas minha cabeça vai explodir em regressão, séria regressão se essa melancolia climática não partir. não que acabe, nem quem se foda… apenas que parta. e que volte, às vezes e aos poucos… afinal é preciso sentir frio. sim. mas não agora.nem eu nem hoje.não mais.