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de dentro

29/10/2010

Sol, poeira

A tarde lenta

Arrasta

Consome

Putrifica

Como conseguem os cadáveres

Afinal, a morte deve ser coisa pouca

Seca

Se vive tanto

Pra no final apenas morrer

E ficar

Decompondo

Pra sempre

E se decompõe em vida

Em pensamentos, em silêncios

Sofri, mas calei

E então não serviu pro mundo

Tão externo

Tão individuativo

Essa janela me consome

Essa vista

O meu mundo todo

Todinho

Dentro dessa janela

Vivo de janelas.

Daqui tenho tudo que preciso

E tenho

Mas nada é meu

Não controlo

O mundo se faz aos meus olhos

E vive

Sozinho

E sem mim

Um dia ousarei, quem sabe

Sair

Desse quarto

E então sair do meu mundo

Que não é meu

E entrar no mundo de verdade

Em caixão

Grande

Com a minha janela junto

Dormir na terra

E virar raíz

Do mundo

decompondo

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