de dentro
Sol, poeira
A tarde lenta
Arrasta
Consome
Putrifica
Como conseguem os cadáveres
Afinal, a morte deve ser coisa pouca
Seca
Se vive tanto
Pra no final apenas morrer
E ficar
Decompondo
Pra sempre
E se decompõe em vida
Em pensamentos, em silêncios
Sofri, mas calei
E então não serviu pro mundo
Tão externo
Tão individuativo
Essa janela me consome
Essa vista
O meu mundo todo
Todinho
Dentro dessa janela
Vivo de janelas.
Daqui tenho tudo que preciso
E tenho
Mas nada é meu
Não controlo
O mundo se faz aos meus olhos
E vive
Sozinho
E sem mim
Um dia ousarei, quem sabe
Sair
Desse quarto
E então sair do meu mundo
Que não é meu
E entrar no mundo de verdade
Em caixão
Grande
Com a minha janela junto
Dormir na terra
E virar raíz
Do mundo
decompondo