monólogo
14/01/2010
“eu to com medo. Essa solidão, na verdade é medo… mas é um medo bobo, tão bobo. Eu não queria estar te enchendo por causa disso, amor… mas é que esse medo tá me dando um aperto. Não é medo suficiente pra eu te ligar, pra te interromper no que quer que seja que você esteja fazendo. mas é que eu to me sentindo só, tão só… mas eu também não te ligo porque… porque eu preciso saber. preciso saber se se eu não te procurar você vai me procurar… preciso saber se você me quer… Eu sei, eu sei, parece que eu to fazendo doce… mas não é. sabe, eu preciso de amor. eu to procurando… eu preciso que você me lembre do seu amor. todo dia e toda noite… você não entende e talvez nunca vá entender o que é ser mulher…. é que eu me esforço, amor. a vida me criou para amar e eu passei tanto mas tanto tempo esperando que agora é necessário que dê certo…
de qualquer modo, não é disso que eu quero falar agora. eu vou deixar pra lá… deve ser só mais um desses momentos de pseudodepressão… afinal está acontecendo tanta coisa no mundo né? esse terremoto, tanta gente morrendo e passando fome… você deve estar certo, eu estou sendo egoísta demais me preocupando só comigo mesmo. vou enganar minha angústia…ela há de passar, como sempre
esquece o que eu disse tá?
eu vou desligar agora.
continua fazendo o que você tava fazendo…finge que eu não disse nada. Aliás, não precisa nem ouvir essa mensagem…
então tá
tá
…
beijos…
até, é…
até quando você quiser.
quando puder me dá uma ligada…
ah!
e só mais uma coisinha
eu prometo que já desligo
mas é que, sabe, eu ainda to tomando coragem… porque quando eu desligar eu tenho que tomar uma atitude, sabe
tenho que arranjar alguma coisa pra fazer, pra me distrair dessa sensação. não posso me permitir à dor, tenho que ser forte pra suprimir-la. se ela é cínica eu também o posso ser. ela passa… de mansinho… no seu passo preguiçoso, se arrastando…indo embora. amanhã ela não deve estar mais aqui.
Mas, sabe… às vezes eu sinto que eu não quero desligar… quer dizer, não que eu seja egoísta,mas é que eu talvez eu goste de um pouco de atenção pra minha dor, sabe? Talvez me permitir sofrer, só um pouquinho… de repente sofrendo passa. Ou talvez nesse tempo você chegue em casa e atenda… Ou talvez você esteja aí ! Ai… meu deus… eu falando aqui e você… você aí ouvindo. ai meu deus, amor, não liga pro que eu to dizendo não, é tudo bobagem de mulher. eu vou desligar agora, prometo
mas antes…
você pode antender?
–
você … tá aí?
–
certo, certo, você não quer atender. ou– ou então você não está, é verdade, você não deve estar. então eu já vou desligando…
beijos…
te…
eu.. eu te…
eu te ligo amanhã”
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