trecho
“Com a mão direita ele segura o ferro que fazia as flamas crescerem. A mão esquerda, a livre, estava ao alcance dela. Lori sabia que podia toma-la, que ele não se recusaria; mas não a tomava, pois queria que as coisas “acontecessem” e não que ela as provocasse. Ela conhecia o mundo dos que estão tão sofridamente à cata de prazeres e que não sabiam esperar que eles viessem sózinhos…. Porque nela a busca do prazer, nas vezes que tentara, lhe tinha sido água ruim: colava a boca e sentia a boca enferrujada, de onde escorriam dois ou três pingos de água amornada: era a água seca. Não, havia ela pensado, antes o sofrimento legítimo que o prazer forçado. Queria a mão esquerda de Ulisses e sabia que queria, mas nada fez, pois estava usufruindo exatamente do que precisava: poder ter essa mão se estendesse a sua.”
(trecho de “Uma Aprendizagem ou O Livro Dos Prazeres” de Clarisse Lispector)
Esse livro é fantástico. Clarice é incrível!
Comecei a leitura do seu blog. Li quase tudo.
Farei outras visitas.
Escrever é uma grande válvula de escape, e sobre isso, nossa adorada Lispector também nos ensinou.
Abuse dessa válvula, eu também abuso e sou quase dependente dela.
beijos.
sabe tudo essa daí..