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ah! brutaflor!

08/11/2011

eu quero e não quero tudo

quero não querer

e até consigo

mas ninguém vê

quero um ardido
moído descrer
um querer sem ver
sem ser e sem sofrer

quero um simples bocejo
gostoso com um desejo
no brejo, na cidade
que ele fique à vontade

que venha ao próximo alvorecer,
permaneça à cabeça,
não queira escurecer,
não enlouqueça depressa

e que,
ainda que não queira,
não possa ou não seja
querer só a beira

que seja além de ardente
além de querer-quente
um querer forte e infinito
querer como amor de um amigo
como flor como abrigo
como mãe como amor
querer sem querer
um querer sem dor

a gente

27/09/2011

Quando tá tudo azul

quem não tá azul é a gente?

e quando lê o livro

é ele quem lê a gente?

quando desiste de algo

é o algo que desiste da gente?

quando compra o dinheiro

é ele quem compra a gente?

e quando a gente se decepciona

a gente se decepciona é com a gente?

quando puxa o ar

é o ar que puxa a gente?

quando a gente sente medo

é o medo quem sente a gente?

quando gosta de alguém

é ele quem gosta da gente?

e quando deveria gostar

é a gente que não gosta da gente?

quando a gente acha que tá certo

tem alguém mais certo que a gente?

quando a gente acha que vive a vida

será ela quem vive a gente?

e afinal quem a gente pensa que é?

e se quem pensa não é a gente?

e se não pensa, nem muito menos gente?

isso faz de nós o quê?

MAL-ACOSTUMADO

23/06/2011

folha branca
franca
intimida tudo de dentro
e foge fácil o momento

quis escrever tal vez
poesia crua
dura
e pior que não cura

não quando fica assim
se esconde
todo onde
cadê?
vergonha, porquê

na realidade é a insuficiência
essa demência
é dá muita raiva, sabe, amor

mastigar tudo tanto
por pensamento
e na hora do pranto, do canto
palavras ao vento
desoriento

e a boca retrai
a mente trai
a mão recai
e nada
nada sai

e a tão falsa epifania
falsamente sacia
falsamente abrevia
e enganando esvazia

e então tá tudo bem.

mas depois
que o amor se foi
não estão a dois
a dor reflui

com dentes
se prende
arranca, destroça
se abriga
me almoça
e desanca, me ofende

se tranca
cruelmente
e cultiva, e cresce
e nasce e morre

e sempre sempre me acorre
quando novamente
em minha frente
o amor se põe imponente

vai ser um dia bem longo

19/06/2011

Acordo com a luz. Oito horas da manhã. Dor nas costas, tensão do sono. E remoendo e remoendo os sonhos, pesadelos, angustiantes. E,com todas as forças, aquela voz que ecoa – o ontem não é nada. nunca será. o hoje e o agora no cobertor quente podem ser um refúgio se a isso se permitir. pensa na efemeridade. pensa. no tempo. que você já escreveu. tenta. que não vale sofrer por um silêncio, muito menos por um conflito interno que não fede nem cheira. esse sofrimento não é digno. controla sua cabeça. e dá-lhe paulada.
resíduos em prática…. levanto então; que tal aquele trabalho de freud? e na ciência/filosofia/o que seja encontramos uma nova perspectiva. mais um braço que incentiva – sim, olha pra civilização. pensa nos seus instintos, hipotéticos, no seu inconsciente, incerto. é tudo isso essa merda mesmo, não precisa se prender…
então escrevamos. Nove horas. algum avanço? Mas será que corro, que choro, que trabalho, praia, tv ou só estaticamente permaneço?

e o nada? sua culpa, nada! absoluto nada…… grande imenso imperioso nada. antes houvesse alguma coisa…

tempo tempo vou te fazer um pedido

05/06/2011

acho que… é, realmente, esse frio entranha. entranha e estranha, até, meu organismo agora tão acomodadamente gélido abriga um coração não-tão-moto-contínuo-assim, tão quietinho poupando calor… Há um mês, ou mais, mais de um no tempo do lado de dentro, saio do banho, sinto frio. troco de roupa, sinto frio. acordo, sinto frio. saio de casa, sinto frio. lavo as mãos, sinto frio. frio frio frio FRIO, me deixa em paz! E me deixou…mas não quero tanta paz assim, paz-passiva não serve a mim. Minha alma não expande mais, os dias dispostos assim todos em fila causam uma certa náusea de quem está no ônibus há muito tempo e ainda não chegou em casa, ah como eu já deveria ter chegado em casa, sabe. e todo mundo andando, oi hoje. oi amanhã. tchau. tchau de novo. a imagem dos acorrentados prisioneiros não deixa espaço para nada além, e pensar nesse ciclo que nada produz e que tudo suga é exaustivo. é preciso descontinuar.

AH!

eu quero calor. não porque meu coração me pede, até porque o pobrezinho não me pede mais nada, mas minha cabeça vai explodir em regressão, séria regressão se essa melancolia climática não partir. não que acabe, nem quem se foda… apenas que parta. e que volte, às vezes e aos poucos… afinal é preciso sentir frio. sim. mas não agora.nem eu nem hoje.não mais.

Que dois-je faire

16/04/2011

[meu slam, concorrendo a uma viagem pra frança....]

Les coeurs se taisent en choeur

On apprend que la vie

est une cordée de rêves

Où les réussites sont à portée de main

Alors on tend la main et c’est le fruit d’Eve

Et ces vérités des chansons

Sont en réalité une illusion

Le monde intégré nous trompe

comme s’il était accueillant

Mais il est farceur

Il coupe les files

des vies sans chaleur

Qui tremblent de peur

de se sentir seules

On fait des agapes

Mais avec qui?

La solitude est devenue aujourd’hui

une complice de cette humanité

absente de caresse ;

Et celle qui me dit bonjour

Est toujours la tristesse

Les coeurs se taisent en choeur

Les personnes que vivent

Seulement pour réseuter

Ils sont pas suffisament développés pour aimer

Même avec une vie sans sentiments

Ils se debrouille, en survivant

Je crie, je pleure

Qui n’a pas peur?

On vie dans les malheurs

Mais seul, on meurt

Les coeurs se taisent en choeur

Et maintenant que dois-je faire?

je peux pas vivre harmonieusement

Le manque de liaison avec ces gens passants

est toujours plus doloreux qu’un coeur cassé

Puis je cours… derrière qui? derrière quoi?

Je ne sais pas

Plus je cherche

Moins je vois

oú sont les amants?

où sont les aimés?

quelques yeux ouverts…?

Je n’ai rien trouvé

L’incroyance, l’indifférence

blessent le monde

Et à chaque jour qui passe

personne ne comprend

cet abîme profond

Les hommes se dégénèrent en choeur

Mais les coeurs se taisent encore

tempotempodeverão

30/01/2011

ai que leveza… tudo flutua

minha cabeça, de dentro, cabeça pra baixo… de baixo, e alto, pro lado e o outro

eu penso mais aí elas fogem

voltem

as palavras, eu digo

flutuam junto e pensamento fica assim difícil

de escrever

de se escrever

 

“Summertime, time, time

child, the living’s easy. fish are jumping out and the cotton, lord, cotton’s high lord so high.”

existir

08/11/2010

eu existo.

Às vezes isso me pega de surpresa… mas afinal que coisa mais curiosa

Eu existo, mas não só eu… provavelmente todos que meus olhos me enganam também existem. Tudo que eu nunca vi existe… Tudo que eu nunca vou ver vai passar a vida inteira existindo, mesmo não tendo função alguma na minha existência… será então que o mundo não gira ao meu redor?

de dentro

29/10/2010

Sol, poeira

A tarde lenta

Arrasta

Consome

Putrifica

Como conseguem os cadáveres

Afinal, a morte deve ser coisa pouca

Seca

Se vive tanto

Pra no final apenas morrer

E ficar

Decompondo

Pra sempre

E se decompõe em vida

Em pensamentos, em silêncios

Sofri, mas calei

E então não serviu pro mundo

Tão externo

Tão individuativo

Essa janela me consome

Essa vista

O meu mundo todo

Todinho

Dentro dessa janela

Vivo de janelas.

Daqui tenho tudo que preciso

E tenho

Mas nada é meu

Não controlo

O mundo se faz aos meus olhos

E vive

Sozinho

E sem mim

Um dia ousarei, quem sabe

Sair

Desse quarto

E então sair do meu mundo

Que não é meu

E entrar no mundo de verdade

Em caixão

Grande

Com a minha janela junto

Dormir na terra

E virar raíz

Do mundo

decompondo

o velho

25/10/2010

o trapo do velho

que cai do baralho

é o copo de bar

molhado de orvalho

da noite estrelada

e vazia na estrada

nasceu um velho

mambundo, severo

severo chamava

como outro cigano

que enfim desmaiava

debaixo dos panos

caia na rua

dormia no fio

depois acordava

com o prato vazio

sentou na calçada

sentiu um aperto

era a vida levando

seu imenso soneto

e então bem cansado

caiu para o lado

morreu devagar

e esqueceu de pagar

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